quarta-feira, 13 de junho de 2012

# Rio +20 e a economia verde



O blog Os Pensées quer ser um espaço informativo a respeito de temas que fazem parte do nosso cotidiano imediato e que tem relações particulares com a fé e o seguimento de Cristo. Acreditamos que a teologia hoje precisa desenvolver um labor teológico e uma reflexão crítica da realidade que esteja em sintonia com as pautas das agendas sociais a fim de pensar desafios e possibilidades neste nosso contexto contemporâneo.
Nestes últimos e próximos dias, a ecologia e subtópicos afins, serão o foco dos debates e posicionamentos políticos das nações frente a essa questão que nos compromete globalmente no evento da RIO +20, aqui no Brasil. Reconhecendo a dimensão pública da fé e do fazer teologia queremos postar alguns vídeos e textos relacionados ao assunto para que estejamos, mesmo que de maneira elementar, informados sobre o que é o evento e o que significa os debates sobre o tema da ecologia e sustentabilidade na busca de uma reorientação desenvolvimentista na econômica para o futuro do planeta.

terça-feira, 22 de maio de 2012

# Notas sobre cultura



por Victor Breno


Como a cultura opera sobre nós? De que forma exerce influência ou nos afeta? Seguindo o raciocínio do antropólogo brasileiro Laraia, destacam-se as seguintes dinâmica da cultura:

1.      A cultura condiciona a visão de mundo do homem

A cultura funciona como lente através da qual se enxerga e interpreta a realidade. A cada cultura uma lente lhe é própria, de modo que, existem diversas e multiformes maneiras de se entender a realidade.
As programações morais, valorativas e comportamentais a nível social são resultado de determinada estrutura cultural. Aqueles aos quais esses caracteres culturais não são obedecidos, recorrentemente são reprovados no seu modo de vida.
Devido a esse modo condicionante de interpretar a realidade, universalmente se percebe um elemento que invalida o diferente valorativamente e gera por vezes violência e intolerância: o etnocentrismo.

2.      A cultura interfere no plano biológico

Também, a cultura interfere no modo como os indivíduos e sociedades relacionam-se com sua dimensão corpórea. A cultura pode inclusive manipular elementos do inconsciente do indivíduo a ponto de interferir nas operações biológicas das mais simples até as mais complexas, citando, por exemplo, o caso das curas.

3.      Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura

Não é possível ao indivíduo apropriar-se de todos os elementos de sua cultura. Cultura essa que na maioria das vezes tem um forte tom masculino. Um ponto interessante é que os acessos a conteúdos mais profundo da cultura somente são permitidos em decorrência de fatores etários.
É justamente pela não capacidade de endoculturação plena que se oferece ao indivíduos brechas de oportunidades da manifestação criativa de reformulação ou criação de novos elementos culturais. Mesmo não sendo capaz de articular todos os códigos sociais da sua cultura, cabe o indivíduo cultivar um mínimo suficiente de conhecimento de sua cultura para sustentar seu status e ordenar e regulamentar sua vida com os outros.
4.      A cultura tem uma lógica própria

A cada cultura pertence uma coerência lógica própria. Cada cultura deve ser entendida dentro das estruturações lógicas próprias que lhe conferem coerência e articulabilidade. Não se pode transplantar modelos lógicos nas analise da cultura alheia.
Não existe assim, culturas de níveis diferentes, como se houvessem sistemas universais de ascendência evolutiva, mas sim, simultaneidades culturais independentes dentro da história humana. A cultura ordena a sua lógica seu mundo circunscrito de determinada classificações interpretativas da realidade.

5.      A cultura é dinâmica

Diferentemente de como um leigo poderia julgar a estaticidade de um determinado povo, o antropólogo, a partir de uma acurada análise observatória, percebe as transformações ocorridas não só no seu espaço cultural mais também a todos os outros ambientes com os quais tem a oportunidade de observar e assim chega à conclusão de que não existem culturas estáticas. Faz parte do próprio modo de ser das culturas a dinâmica, que gera mudanças, transformações e que podem ocorrer pelos mais diversos fatores e nas mais variadas ritmos de mudança.
Basicamente a dinâmica cultural pode se dar de duas formas: as mudanças internas e as mudanças externas. As mudanças internas são aquelas que se dão dentro do contexto social e filosófico de um mesmo povo, normalmente seguindo um processo lento e muitas vezes de difícil observação. Já as mudanças externas se dão quando há o encontro com outras culturas e daí gera-se novas reformulações culturais num processa mais acelerado. A compreensão desse caráter mutatório da cultura é importantíssimo para que se possam evitar conflitos geracionais.