por Victor Breno
Um
dos mais importantes fenomenologos da religião dos últimos séculos é Mircea
Eliade. Por meio de uma vasta obra literária esse autor merece atenção especial
pela fenomenologia da religião por desenvolver categorias de interpretação da
realidade religiosa que contribuíram para as posteriores análises e pesquisas.
Um
dos principais livros de Mircea Eliade, e que resume a totalidade de seus
conceitos e métodos de análise, é o livro O
Sagrado e o Profano. Nele o autor procura através de uma descrição
comparada das religiões demonstrar que existe um fio condutor, um elemento que
pode ser sublevado, que perpassa a todas as religiões de todas as épocas e que
constituiria a “essência” das religiões.
É a realidade do sagrado e do profano. Essa
categoria é perceptível nas mais diferentes e diversas religiões e é também
útil no entendimento da organização e dos sentidos religiosos para o homos religiosus.
Para
Eliade, sagrado e profano constituem as essências das religiões. Segundo ele, sagrado
e profano são duas realidades distintas, todavia, que só podem ser compreendida
uma pela a outra e na sua correlação mútua. Assim, se tem duas modalidades de
experiência religiosa, a sagrada e a profana, isto é, dois modos de
ser-no-mundo, duas situações existenciais assumidas pelo homem.
A experiência religiosa surge na
existência humana como manifestação do sagrado (hierofania/cratofania), algo
que se apresenta em oposição ao profano, mais é justamente nessa realidade
profana que o sagrado aparece ao indivíduo religioso. A experiência religiosa é
fundante para o estabelecimento do mundo.
Seguindo
uma analise da manifestação do sagrado, Eliade percebe que a dimensões comuns e
características desse ser-no-mundo. Desse modo, o autor aborda temas como a
questão da espacialidade, temporalidade, a sacralidade da natureza, bem como a
existência humana e a vida santificada.
Em
relação ao espaço, esse não se apresenta homogêneo para o homem religioso,
existem distinções essenciais entre os espaços sagrados e os não sagrados. Para
esse indivíduo, o espaço sagrado é que realmente existe porque ele “funda o
mundo” dando um referencial de existência e tornando-se o centro do mundo,
lugar do encontro com esse sagrado.
Na
estrutura temporal, Eliade compreende que esse tempo sagrado é o tempo
reversível, um tempo mítico primordial, um tipo de tempo original que acontece
fora da temporalidade e, que está presente e está a todo momento representando
a reatualização de um evento sagrado.
Também,
as estruturas do mundo revelam a sacralidade que existe na natureza. Eliade
argumenta que o quando o homem religioso contempla o mundo como se apresenta,
ele descobre múltiplos modos do sagrado ali. Por meio de hierofanias cósmicas
os elementos naturais se travestem de sentido sacral, conferindo significado
para o homem religioso.
Existe
também uma abertura singular no ser religioso que o faz trans-humano. Assim ele
ultrapassa sua limitada condição e abre-se para o mundo dos deuses e do sagrado
em geral. É de forma paralela acompanhada por rituais de passagem e de
iniciação na realidade religiosa.
Muito bom o Texto, Só uma pequena duvida, pois acabei de ler esse livro e nao compreendi bem um termo, se souber e poder me ajudar agradeço parceiro: COSMOGONIA. Sabe o que é?!
ResponderExcluirGrande Abraço.
Que bom que gostou amigo.Bem, cosmogonia é uma narrativa mítica, um discurso fundante sobre as origens do mundo de determinado povo (ex: descrição no gênesis).
ExcluirDeu pra pegar?
Olá! Muito bom blog. Saudades Breno. Aqui é o profeta. Terminei o curso o ano passado e estou estudando pedagogia. Se quiser passe pelo meu blog para dar uma olhada: teofilofdo.blogspot.com.br. At., Fernando de Oliviera
ResponderExcluirSim kra. Assim como o genesis para os Hebreus, temos a Caixa de Pandora para os Gregos, o que se constitui tbm numa cosmogonia. Se esse for o sentido, acho que aprendi!
ResponderExcluirValeu!