segunda-feira, 13 de agosto de 2012

# Teologia do Pluralismo Religioso: breves apontamentos [Parte 1]



por Victor Breno

O pluralismo religioso hoje já é uma questão irremediável para a reflexão teológica. O tema é surge como um desafio e uma oportunidade inéditos até então para a fé cristã. A importância da temática vem sendo discutida e trabalhada por diversos especialistas, círculos acadêmicos e está entre as prioridades nas pautas sobre o fazer teológico hoje. Na compreensão de Claude Geffré, um dos destacados teóricos dessa perspectiva, afirma que o pluralismo religioso é “o novo paradigma teológico” no “horizonte da teologia no século XXI”[1].
O teólogo Vigil[2] nos alerta, na apresentação de um dos seus livros, sobre a magnitude do fenômeno para a contemporaneidade:

“A pluralidade das religiões, num mundo em processo de unificação tão acelerado como jamais se viu na história humana, coloca-nos a todos, crentes e não-crentes, diante de uma tarefa das mais urgentes e decisivas. Já não cabem nem a ignorância mútua nem a distancia indiferente. Como Karl Jaspers dizia das situações-limite, isso não se pode mudar: o que está em nossas mãos é modificar e configurar a própria atitude. O futuro dependerá, com efeito, do modo como consigamos enfrentar seu desafio. E sua oportunidade.”

A teorização sobre a temática é recente, reme aos anos de 1960 e vem à tona com o processo da globalização trazido pela modernidade. Com o advento da modernidade, não há mais possibilidade de se reafirmar a hegemonia religiosa de qualquer tradição que seja. Com a globalização, propagada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação em massa e as novas tecnologias, as religiões deixam de estar isoladas no seu espaço territorial e cultural próprios para serem postas uma de frente com a outra.
A tomada de consciência da realidade religiosa global faz com que se reafirme a questão da identidade própria de cada tradição, o específico irredutível de cada uma, e também repensar a necessidade de uma abertura ao outro num encontro inter-religioso na qual a partilha do acolhimento do sagrado por seu lócus histórico-cultural próprio.
Aqui é preciso fazer uma distinção básica entre pluralidade religiosa e pluralismo religioso. Pluralidade Religiosa diz respeito à existência da variedade de expressões religiosas numa determinada sociedade. Já o Pluralismo Religioso, diz das relações legais e simbólicas entre a religião e o estado[3]. É muito importante se compreender tal distinção para que se possa afirmar a imprescindível necessidade do diálogo inter-religioso.
O cerne da reflexão teológica a respeito do pluralismo religioso é a pergunta se esse pluralismo é um fato contingencial, pluralismo de fato, ou, se ele faz parte dos desígnios misteriosos de Deus, pluralismo de princípio. A partir daí, a teologia cristã é desafiada a reinterpretar a fé no horizonte hermenêutico fornecido pela realidade inter-religiosa. Vigil nos fala necessidade do estudo sobre o pluralismo religioso:

O que o estudo da teologia do pluralismo religioso pode nos proporcionar não é, pois, somente uma aquisição de novos conhecimentos – algo simplesmente teórico - ,mas sim um questionamento, uma reconstrução de conhecimentos religiosos já adquiridos, uma renovação de convicções religiosas básicas, o que nos levará a uma nova forma de viver a religião – uma prática nova.[4]


[1] GEFFRÉ, Claude. Crer e interpretar. A virada hermenêutica da teologia, pp. 26 e 134.
[2] VIGIL, José Maria. Teologia do pluralismo religioso: para uma releitura pluralista do cristianismo, p. 7.
[3] SANCHEZ, Wagner Lopes. Pluralismo religioso: as religiões no mundo atual, p. 25-40.
[4] VIGIL, José Maria. Teologia do pluralismo religioso: para uma releitura pluralista do cristianismo, p. 15.

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