Paradigmas da Reflexão Teológica sobre o Pluralismo Religioso
Historicamente, o cristianismo assumiu algumas posições básicas em relação a as religiões não-cristãs e, muito embora esses posicionamentos reflitam dado momento de desenvolvimento na história, eles podem ser encontrados ainda hoje dependendo da perspectiva teológica das igrejas. A problemática do pluralismo religioso no bojo da reflexão teológica cristã pode ser teoricamente distinguida sobre três paradigmas: Exclusivismo Eclesiocêntrico, Inclusivismo Cristocêntrico, Pluralismo Teocêntrico.
a) Exclusivismo Eclesiocêntrico
Essa posição afirma a exclusividade da religião cristã como caminho para a salvação humana. Segundo Dupuis, a proposição Extra ecclesiam nulla salus, foi tomada como assertiva pelos representantes institucionais da Igreja Católica Romana.[1] Sanchez que essa posição “se originou nos primeiros séculos da era cristã, com Orígenes, Cipriano e Agostinho, foi definida pelo IV Concílio de Latrão (1215) e reafirmada pelo Concílio de Florença”.[2]
A Igreja Católica Romana rejeitava qualquer tipo de revelação do sagrado fora do universo da cristandade e mais especificadamente da igreja institucional. No caso protestante, seguindo os princípios sola fide (só a fé), sola gratia (só a graça), sola scriptura (só a escritura), ela adquire uma forma não eclesiocêntrica. A posição protestante apresentou um avanço em relação ao eclesiocentrismo católico oferecendo as bases para o ecumenismo e para a elaboração de outro paradigma, o inclusivismo.
b) Inclusivismo Cristocêntrico
Nesse modelo já não é a igreja que está no centro, mais Cristo. A meio século se apresenta como um avanço sobre a reflexão. Aqui a verdade da salvação ainda se encontra totalmente na religião cristã, muito embora, as outras tradições possuam elementos da verdade divina, os chamados valores implicitamente cristãos[3]. Está posição abriu caminho no mundo teológico com o Concílio Vaticano II.
Destacam-se aqui a teoria do cumprimento, na qual o cristianismo é o acabamento das outras religiões, e, a teoria dos cristãos anônimos, desenvolvida pelo teólogo Karl Rahner, segundo o qual a autocomunicação de Deus se estende aos indivíduos além dos alcances da igreja gerando nestes uma vida baseada nos valores de Cristo, quer saibam disso ou não. Colaborou para o Ecumenismo e uma reflexão mais séria do que a anterior a respeito do pluralismo religioso.
c) Pluralismo Teocêntrico
Sugerida como um novo paradigma na teologia do pluralismo religioso, o pluralismo teocêntrico afirma que todas as religiões participam da salvação de Deus, possuem autonomia salvífica, pois que está no centro não é mais apenas uma religião, mas sim Deus[4].
John Hick é o nome do principal representante desta escola, desafiando a teologia a uma “revolução copernicana” e a se desenvolver “um novo mapa” do universo da fé[5]. Neste posicionamento reivindica-se uma igualdade básica das religiões[6], que é diferente de querê-las todas iguais. São equivalentes no sentido de que estão num mesmo plano salvífico de Deus aos homens em suas particulares captações histórico-culturais da manifestação do transcendente.
Sem abandonar o específico da fé cristã, Jesus Cristo, esse modelo quer ser um avanço diante dos anteriores paradigmas. Sanchez diz que:
A posição do pluralismo nasce do esforço de tantos teólogos de construir um referencial teórico que, num mundo com grande diversidade religiosa, possibilite um diálogo sincero do cristianismo com outras religiões.[7]
[1] DUPUIS, Jacques. O cristianismo e as religiões: do desencontro ao encontro, p. 19.
[2] SANCHEZ, Wagner Lopes. Pluralismo religioso: as religiões no mundo atual, p. 68.
[3] PANASIEWICZ, Roberlei. Pluralismo religioso contemporâneo: diálogo inter-religioso na teologia de Claude Geffré, p. 136.
[4] VIGIL, José Maria. Teologia do pluralismo religioso: para uma releitura pluralista do cristianismo, p. 64.
[5] Ibidem, p. 85.
[6] Ibidem, p.85.
[7] SANCHEZ, Wagner Lopes. Pluralismo religioso: as religiões no mundo atual, p. 74.
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